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title: "Os Segredos da Cozinha do Vaticano (Planeta, 2007)"
description: "\"Os segredos da cozinha do Vaticano\" (Planeta) é possivelmente o livro mais trabalhoso e complexo que realizei na minha carreira como escritora gastronômica. A idéia surgiu como uma casualidade surpreendente, eu fui “tocada” por uma influência que não me atreveria"
url: https://www.evacelada.com/os-segredos-da-cozinha-do-vaticano/
date: 2007-03-30
modified: 2023-07-11
author: "Eva Celada"
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categories: ["Mis Libros"]
type: post
lang: es
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# Os Segredos da Cozinha do Vaticano (Planeta, 2007)

**«Os segredos da cozinha do Vaticano»** (Planeta) **é possivelmente o livro mais trabalhoso e complexo que realizei na minha carreira como escritora gastronômica**. A idéia surgiu como uma casualidade surpreendente, eu fui “tocada” por uma influência que não me atreveria a qualificar de “celestial”, mas isso nasceu depois de uma bela frase: **“ Deus está até nos ensopados”** de Santa Teresa de Jesus e que portanto não sei se por essa casualidade ou por “outras razões” fui levando a um bom porto apesar das numerosas dificuldades que tem esse livro. O principal: **incluir vinte séculos de gastronomia , nada menos do que São Pedro, que foi o primeiro Papa da História**.

Embora seja verdadeiro que a gastronomia desses séculos foi uma evolução muito característica, também **não tem a ver com o que comiam os primeiros Papas, incluídos em plena era patrística, sem Corte, com os do Renascimento, também denominados: “Rei dos Reis”**; imaginam então as diferenças nas suas mesas.

**Outra grande dificuldade para seguir adiante com esse livro foi sem dúvida, o segredo excesivo com que o Vaticano afronta todo o doméstico** que é considerado “de índole privado” até alguns limites realmente curiosos.

Não há nada mais util para o escritor, quando tem que incluir grandes períodos de tempos, que pouco a pouco (suponho que seja igual o que ocorre na própria vida). Certamente tinha sido muito mais comercial introduzir diretamente o Vaticano no século XX, asomarmos ao XXI e deixar estar. **É certo que a maioria das pessoas está interessado o que comia João Paulo II quando estava doente, ou quando recebia alguém em seu apartamento privado.** Talvez as pessoas tenham curiosidade sobre os sorvetes que tomavam com freqüência Benedicto XVI e de onde vinham, sobre como foi seu menu de coroação ou porque o Papa adora uma simples sopa de sémola que normalmente toma a cada noite.

**Porém estou certa de que muitas pessoas queiram saber também que no distante século XIII na Corte de Roma se tomava lagosta trufada e que os deliciosos ovos beneditinos sobre leito de bacalhau era um capricho de Benedicto III que ele mesmo sugeriu a receita**, o que o marzipan de água de rosas se fazia nas cozinhas vaticanas na Idade Média. Também penso que será de interesse para muitos descobrir que já no princípio do século XX se fazia cozinha “de author” no Vaticano e pratos considerados como grandes descobrimentos em nossos dias eram habituais em suas mesas, como as saladas de flores, as massas recheadas de angulas e cobertas com caviar, saborosamente apresentadas.

![Fotografía de un 'Crujiente empanada de anguila al gusto del arzobispo'">

**Há dezenas de curiosidades e surpresas que descobre o livro em relação ã Gastronomia**. Acontecimentos e sucessos tão reveladores de cada época e os seus protagonistas que escrevem uma História melhor que a Cristandade, mas não por ele menos interessante.

Um exemplo: **João Paulo II quando assistiu a um jantar em homenagem a sua Coroação, ao ver o menu disse com toda humildade: Não precisava se incomodar, pizza e pasta era suficiente.**

É que por acaso o papa não sabia que a cozinha italiana oferece centenas de pratos saborosos a margem de estes tão populares? A resposta é que o Papa não era um grande gastrônomo, quando ia a Roma até ser elegido sumo Pontífice comia somente pizza e pasta, não visitava os restaurantes luxuosos. Ele gostava de comer também a sobremesa, adorava conversar depois de comer, depois que terminava a sobremesa, solicitava que fosse retirado tudo e que ficasse somente o café. Até o final de seus dias foi assim, privadamente ele comia uma simples comida polaca e somente quando vinha algum convidado ele colocava outros pratos que pra ele especialmente não gostava.

**Quanto ao segredo do Vaticano, por sorte junto a postura oficial convive uma postura mais flexível que algumas pessoas do Vaticano assumem como produto próprio de mudança dos tempos**, graças as quais o trabalho desta periodista que lhes escreve, em ocasiões desanimada, não foi finalmente desesperado durante os meses que passei em Roma, coincidindo por acaso com a mudança de Papa em Abril de 2005. **A todos aqueles que me pediram para não mencionar, de novo obrigada.**

**Algo que eu gostei muito no livro, é que a medida que fui escrevendo fui tomando vida própria**: Os papas da era clássica me levavam a uma cozinha abaixo da influência do “Regimen Sanitatis” os da Idade Média com sua gastronomia apenas nos cercavam de banquetes impressionantes pela quantidade de alimentos que se apresentavam na mesa, quase como símbolo externo de seus estatus que para o próprio consumo até o ponto de que a maior parte do alimento estava destinado aos serviços e aos que sobram dos fiéis que esperavam na porta. O Renascimento encaminha ao florescimento do prazer terrenal, a da sofisticação e incluso a ostentação mais preciosa, a comida já supõe um desfrute em si mesma, até o século XIX onde o alimento já sem necessidade de bulas nem limitações se adapta a necessidade do homem, buscando os Papas do século XXI safisfazer a seus convidados e cobrir suas próprias necessidades, mas já visto de uma nova forma: racionalidade e serenidade porque comer o que deseja, pode significar até comer pouco.
